Professor de engenharia civil da Unesp, Matsumoto, prevê que, com a ETE, em um mês a vida aquática já volte para o trecho hoje poluído do Córrego Marinheirinho
Com o objetivo de comprovar os efeitos positivos do tratamento de esgotos de Votuporanga, químicos da Saev Ambiental e engenheiros do Laboratório de Saneamento da Unesp de Ilha Solteira estão monitorando as águas do Córrego Marinheirinho a montante e a jusante do corpo receptor de esgotos de Votuporanga. Neste sábado (20/11), a Prefeitura e a Saev Ambiental irão inaugurar a Estação, que após a pré-operação, entrará em efetivo funcionamento tratando 100% do esgoto gerado pelos cerca de 85 mil habitantes do município.
A obra tem grande importância para o meio ambiente e para a recuperação do Córrego. Há mais de 40 anos, a cidade despejava o esgoto sem tratamento no manancial, provocando a poluição e contaminação das águas, morte de peixes e assoreamento do córrego e nascentes. A quantidade de esgoto despejado, atualmente, varia de 240 a 370 litros por segundo.
O trecho avaliado pelos profissionais tem a extensão de 7 km e é o mais prejudicado pelo lançamento do esgoto. O especialista em tratamento de água residuária que coordenou as análises em Votuporanga, Tsunao Matsumoto, conta que nos primeiros pontos do lançamento do esgoto o Índice de Qualidade da Água (IQA) está em situação “ruim e péssima” com grande presença de coliformes. “Detectamos um problema sério nos primeiros pontos após o lançamento, 200 metros abaixo do ponto está em estado crítico; o segundo ponto já tem uma melhora significativa e a medida que vai se afastando do lançamento e a área de contribuição da bacia aumenta, a diluição aumenta e tem uma melhora da qualidade da água”.
O engenheiro Aldo Takao Okoti explica que as águas foram avaliadas durante um ano, com visitas mensais da equipe para análises do parâmetro físico-químico. As amostras eram enviadas e analisadas no Laboratório da Unesp de Ilha. O monitoramento será retomado por mais um ano, após o funcionamento da ETE.
O químico chefe de setor da ETE, Antonio Carlos Ferreira, completa que o objetivo é comprovar, por meio de dados técnicos, a eficiência e a qualidade do tratamento realizado pelo sistema. “O mapeamento foi feito na época da cheia e da seca para avaliar o índice de oxigenação da água, a carga orgânica, índice de diluição. Depois teremos o índice de recuperação do Córrego e a comprovação da qualidade e disponibilidade da água, tanto para o abastecimento urbano como para as práticas agrícolas”, esclarece.
O professor de engenharia civil da Unesp, Matsumoto, prevê que, com a ETE, em um mês a vida aquática já volte para o Córrego. “Com base em outras experiências, os efeitos do tratamento já começam a ser sentidos algo em torno de 20 a 30 dias com a volta dos peixes”. Por sua vez, a Secretaria de Meio Ambiente, coordenará um trabalho junto aos produtores rurais para o plantio de mudas visando o reflorestamento ao redor do Córrego.
O esgoto será levado da cidade para as lagoas por emissários instalados num trecho de 14 km. A previsão média, hoje, de recebimento da ETE é máxima de 370 litros de esgotos por segundo e mínima de 240. No entanto, o sistema tem capacidade para tratar até 605 litros de esgotos por segundo, quantidade que seria gerada por cerca de 130 mil habitantes.
SERVIÇO
Inauguração da ETE
Sábado, 20/11
9 horas
Zona rural, entrada no KM 531, da rodovia Euclides da Cunha