Cerca de 150 pessoas participaram do encontro; primeiro caso da doença em Votuporanga é registrado em um cão
A Secretaria Municipal de Saúde juntamente com a Sucen (Superintendência de Controle de Endemias), Centro de Controle de Zoonoses, Instituto Adolfo Lutz (São José do Rio Preto) e Vigilâncias Epidemiológicas Estadual e Municipal, realizaram na tarde de segunda-feira (30/8), uma capacitação sobre a Leishmaniose Visceral para médicos, enfermeiros, agentes de saúde e veterinários de Votuporanga e região. Cerca de 150 pessoas participaram do encontro que aconteceu no auditório da Secretaria Municipal da Educação, Cultura e Turismo.
A médica infectologista Regina Sílvia, revelou que em 2009 foram 12 milhões de doentes no mundo e que cerca de 600 mil casos têm sido registrados por ano. Segundo ela, a doença acomete mais as crianças, que acabam passando uma boa parte do tempo no quintal onde o mosquito se encontra. “A prevenção é a limpeza, o mosquito fica onde há materiais em decomposição”, ressaltou a médica.
A veterinária da Vigilância em Saúde de São José do Rio Preto, Mônica Regina Bocchi, explicou como é feita a triagem do suspeito: “se houver um suspeito é feito um estudo de onde esse animal passou, se viajou, quanto tempo ficou nesse local, desde quando está doente, nenhum detalhe pode ficar para trás”.
O veterinário do Centro de Zoonoses de Votuporanga, Elcio Sanchez Estevez Junior, falou sobre como a doença atinge os cães e divulgou o primeiro caso na cidade. Ele explicou que apenas a fêmea do mosquito palha suga o sangue e esse tem que estar infectado para transmitir a doença ao cão. Elcio ainda contou que há um mês um cão suspeito foi encontrado na cidade, os exames foram feitos e após a confirmação da doença, o animal foi sacrificado. “Foram feitos três exames no Negão [cachorro infectado], todos eles deram positivo”. Sanchez acrescentou ainda que a vacina contra a Leishmaniose em cães não é indicada pelo Ministério da Saúde e que o método mais indicado é a coleira com cipermetrina, que age como um repelente.
A bióloga do laboratório regional do Instituto Adolfo Lutz, Margarida Georgina Bassi, falou sobre o diagnóstico em humanos e fez algumas recomendações para a coleta de sangue em cães. Ela ainda parabenizou o veterinário do Centro de Zoonoses Municipal, Elcio Sanchez, de ter feito um ótimo trabalho em Votuporanga.
O responsável pela Sucen de Votuporanga, Nestor Cyriaco da Silva Júnior, explicou como o inseto se reproduz e deu algumas dicas importantes para a prevenção: uso de telas de malha fina nas portas e janelas; manter a casa e o quintal sempre limpos, sem folhas, frutos, troncos, raízes, fezes de animais, entre outros; embalar o lixo corretamente; não juntar lixos em lotes vazios. Para ele, o melhor método é a prevenção. “O lixo atrai mosquitos e é nesses locais que eles se reproduzem. A prevenção é a forma mais eficiente de controle da doença”.
A doença
Causada por um protozoário, a transmissão é feita, principalmente através da picada de um mosquito conhecido popularmente como “palha”. O cão tem importante papel na manutenção da doença no ambiente urbano, visto que pode permanecer sem sintomas mesmo estando doente, situação classificada como reservatório da doença. Ao picar humanos, ele transmite a zoonose, que pode ser fatal. Febre, inchaço do fígado e do baço e palidez são sintomas da doença, tratada apenas com medicamentos.
Mais informações sobre a doença pelo telefone 3422-6273.